terça-feira, 19 de abril de 2011

UM HOMEM DE DEUS, VIDA DEDICADA À MISSÃO, UM AMIGO.

Jornal e Web Rádio Missão Jovem:



.

Padre Paulo De Coppi celebrou 50 anos de ordenação presbiteral e comemora seu 76º aniversário natalício, no próximo dia 24 de abril



 

Prezado padre Paulo, parabéns!...

Queremos manifestar-lhe nossa alegria, homenageá-lo e felicitá-lo duplamente, neste momento particularmente significativo e alvissareiro de sua existência e missão sacerdotal. Podemos nos sentir privilegiados por conhecê-lo de perto e podermos testemunhar sua luta missionária, entre nós, desde que se tornou nosso mais amado visinho, na Av. Hercílio Luz, em Florianópolis.
Já vão longe os dias em que presenciamos a movimentação de operários escavando o subsolo da casa, ao lado do nosso edifício residencial, ampliando-a para receber uns missionários católicos. Era isso que se falava na redondeza.
Aqueles foram dias lindos em que nossos corações palpitavam de entusiasmo pela Messe do Senhor e pela expectativa de experimentarmos a presença de Deus, em nossa vida, de maneira mais viva e eloqüente. A mão de Deus sempre esteve em nosso socorro, a nos indicar caminhos, mas aqueles foram para nós tempos fortes de derramamento abundante da graças de Deus.
Diante daqueles acontecimentos na vizinhança, fomos levados a comentar entre nós: “o que estará o Senhor a nos preparar...?”
Cremos que Deus sempre nos acolhe e nos mostra caminho, ao longo de nossa existência cristã. Os filhos de Deus sempre encontram abrigo e apoio no seio da santa e amada igreja. Muitas vezes, testemunhamos isto em nossas próprias vidas.
Naqueles dias, Deus nos concedeu uma graça especial. Ele nos fez visinhos de missionários e nos permitiu desfrutar da presença paternal do Padre Paulo, missionário franco, transparente e determinado, compreensivo, acolhedor e amigo dos pobres. Deus seja louvado!...
Em momento posterior, estávamos envolvidos com a aplicação das Oficinas de Oração e Vida, uma obra edificante desenvolvida por Frei Ignácio Larranãga. Oficinistas, procurávamos espaço adequado para ministrar os encontros. O salão de festas do nosso edifício seria um ótimo lugar porem, nossos irmãos condôminos não aprovaram.
Na ocasião, o Padre Paulo acolheu-nos em seu espaço missionário.
Ele nos recebeu citando o conhecido versículo bíblico que diz: Um profeta só não é honrado em sua terra e na sua casa”. E nos convidou: “venham trazer o Espírito Santo para esta casa”.  
Deus seja louvado!... Pois fomos mesmo realizar encontros semanais na Missão.
Não só nos disponibilizou uma sala para as oficinas como, ele próprio, encontrou espaço em sua, sempre lotada, agenda para participar das reuniões.
Com freqüência, lá estava o missionário sentado conosco, humilde, alegre e interessado, partilhando seus conhecimentos.
Daí por diante, até hoje, Padre Paulo deixou de ser apenas visinho para morar em nossos corações. E nós nos acostumamos ao seu possante, amável e rouco tom de voz.
A Missão cresceu e, alem de suas atividades normais, do âmbito de sua competência, nos deu muitos outros motivos para bendizê-la: ofereceu oportunidade de emprego para muitos jovens, inclusive, para nosso filho que há mais de 15 anos faz parte da abençoada equipe do vibrante e alegre Jornal “Missão Jovem”.
Quando alguém procurava afastar, por inconvenientes que pudessem parecer, os pedintes que vinham, com freqüência, bater-lhe à porta, falava: “não me tirem os pobres, porque eles não me deixam endurecer o coração.”
Cinqüenta anos se passaram desde que o jovem padre foi ordenado na Catedral de Milão. Agora, com seus 76 anos de bendita existência, grisalho e batido pelo tempo de vida e missão, ainda mostra seu sorriso fácil e amigável, e ainda se apresenta cheio de vigor físico, com alma elevada e disposição ao trabalho.
Perguntado sobre sua saúde e disposição, disparou: ”ainda tenho alguns cartuchos para queimar”.
Querido Padre Paulo, nós o admiramos. Receba nosso abraço carinhoso e fraterno e nossos votos de felicidades, neste momento tão singular e importante de sua existência. Deus escolheu uma bela coroa de louros americanos para sua cabeça. Desejamos-lhe muita saúde e, que Deus continue animando seu grande coração e seu ardor pela missão, aquele ardor que o trouxe da Itália para nós. Pois, temos certeza, nosso Senhor continua aquele mesmo Deus da sua e da nossa juventude. É por sua graça que ainda lhe sobram bons e potentes cartuchos para queimar em defesa da obra da Messe, agora, como um majestoso guerreiro de Deus maquiado pela poeira cinzenta da estrada que lhe embeleza a esparsa cabeleira.
Com o carinho e o abraço fraterno da família amiga que mora ao lado:



Pedro, Lilian, Fábio e Kelly Cristine.


Florianópolis, 12 de abril de 2011.


sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Raimunda Leite da Cruz: Alguns Traços Históricos






Informes iniciais: Conforme pesquisas, Raimundo significa protetor ou sábio, pessoa muito rigorosa consigo mesma, com tendência a isolamento e a supervalorização das virtudes de outrem. Quando consciente de sua importância, pode tornar-se conselheiro e sustentáculo. Dizem ser palavra de origem francesa: do gótico "protetor, poderoso". No entanto, outros acreditam que a palavra provém de Ramiro, nome de origem alemã, de onde deriva Radamir, cujo significado é: "conselheiro ilustre, famoso". Derivando Raimón = Raimundo.

Local de Nascimento: Raimunda Furtado Leite nasceu em Pedreiras (Ma), no bairro "Anjo da Guarda" (?), em 4 de agosto de 1924, casou-se em 1939, com 15 anos de idade, com Raimundo Cesário Cruz, seu primo em primeiro grau, tendo falecido em 30 de agosto de 1964.
O Casamento: Segundo informações colhidas junto a vários familiares, o casamento ocorreu de modo singular. Os primos namoravam e tinham intenção de realizar um casamento que, por precoce, provavelmente, seria contrário à vontade dos pais. Por isso, planejaram fugir e por em prática seus intentos. Entretanto, o pai da jovem, tendo se deslocado da Trindade à Pedreiras para participar da missa dominical, lá, tomara conhecimento do plano dos jovens e, quando regressou, passou pelo Altamira para acertar as coisas. Deve ter havido uma conversa amistosa com a filha que culminou na aprovação do seu casamento. Certamente, conviria mais a ele um casamento precoce do que o vexame da fuga de dois jovens embevecidos de amor.

A Festa no Altamira: Dizem que a festa do casamento ocorreu na casa de tio Joaquim Cesário Cruz (Quinco Cesário), o pai do noivo, tio da noiva, no Altamira, propriedade situada no caminho da cidade, entre as terras dos Cardosos e Augustinhos, na planície do importante Igarapé da Agricultura que irriga as terras de meu padrinho Bello Xavier.
Meus pais aprovaram o casamento porém não participaram. Fizeram-se representar por minha irmã Maria e seu esposo Manoel Martins dos Santos (Nezinho).

Altamira: Viajando de Pedreiras para a Trindade, trilhei muito pelo caminho que passa por esta localidade, quase uma trilha de roça, cortando morros e vales lamacentos povoados de palmeirais. E lembro-me bem da linda propriedade chamada Altamira. Nela havia uma bela casa, provavelmente remanescente de antiga fazenda de escravo, cercada de fruteiras, numa colina, afastada cerca de 500 metros do caminho geral. O acesso era feito por uma cancela e um corredor de cercas onde podiam ser vistos belos exemplares senis da elegante palmeira-real, provavemente, plantados na segunda metade do século XIX.


“Espada Velha”, uma Cobra no Caminho: Neste caminho, num momento posterior, passei por um teste perigoso. Era final da temporada de chuvas, provavelmente, abril ou maio, ocasião dos preparativos para dar início à moagem da cana e a produção de aguardente, rapadura e açúcar, atividades principais da estiagem.
Assim, meu Pai,.meu irmão Antônio e eu, regressávamos de Pedreiras para a Trindade, por aquele caminho, conduzindo um animal e preciosa carga: o "Pé-de-Dorna", um tipo de garapa azeda usada na fermentação do caldo-de-cana e produção de cachaça. Caminhávamos em fila, atrás da mula: Antonio, eu e, por fim, meu Pai. Ali, naquele trecho de caminho do Altamira, havia um tronco de pinhão-roxo cortado, deitado ao chão, medindo de 10 a 15 cm de diâmetro. Por baixo, escondia-se uma cobra “Espada-velha”. Creio que ela despertou com os primeiro caminhantes e quando chegou minha vez de cruzar o tronco ela deu o bote, picando meu dedo indicador do pé esquerdo. Tomei um susto danado quando senti arder o dedo vi a cobra. Comecei a pular e pular..., tentando cair fora. Quando, finalmente, consegui libertar-me daquela situação, meu pai quis matar a cobra porem, ela já estava morrendo. Creio que a matei pisoteada, movido pelo pavor. Resultado: meu pai espremeu o local da picada, mandou-me meter o pé na lama. Depois, ele queria passar pela casa do Alves, um Sr. curado de cobra, para pedir-lhe o remédio definitivo: uma cuspida na boca para matar o veneno da cobra. Eu me dispus a atolar o pé em todo lameiro do caminho, para não me submeter à tortura da cuspida. Que coisa louca !... Felizmente, não tive problema. Daí por diante, passaram a crer que eu seria mais um privilegiado, curado de cobra, podendo dar minhas cuspidas.

Onde residiu o novo casal?: Não tenho informação sobre o local de residência do novo casal durante os dois primeiros anos de vida conjugal, provavelmente lá mesmo no Altamira. O certo é que, em outubro 1941, residia na Trindade, numa antiga casa, à beira do riacho, onde foram construídas nossa residência definitiva e a nova casa de engenho, após o incêndio da casa da colina, do lago.

Nascimento de Inácio: Tenho lembrança de que, ali, nasceu o primeiro filho de minha irmã Raimunda, Inácio Cesário Cruz. Naquele dia, com pouco mais de 3 anos de idade, eu não sabia o que estava acontecendo do lado interno daquela casa cercada de mangueiras e laranjeiras, naquela beira de caminho do rio Mearim. Era um grande alvoroço, corre-corre, pra dentro e pra fora, e ninguém me dava qualquer explicação. Crianças não podiam chegar perto. Amedrontadas, eram afastadas dali sem qualquer explicação sobre o que se passava na casa.
Segunda Lembrança Mais Antiga: Creio que esta deve ter sido a minha segunda lembrança mais antiga, visto que a primeira, foi aquela em que meu pai salvou-me de entre os chifres dos bois Moreno e Azulão.

Seria um Novo Incêndio?: Eu já havia presenciado a correria de um incêndio. Aquele que destruíra nossa casa da colina, acontecimento guardado apenas em meu subconsciente, pois confesso que não lembro absolutamente nada dele. Estaria ocorrendo, ali, outro incêncio ...? Felizmente, não se tratava disto mas, dos preparativos para a chegada do meu sobrinho Inácio.

O Nome e a Promessa: O nome Inácio fora dado ao recém-nascido, segundo fui informado, para assegurar-lhe a sobrevivência, tendo em vista que três outras crianças nascidas anteriormente, não haviam sobrevivido.
Pesquisas apontam que Inácio significa ardente e indica uma pessoa vivaz e inteligente que, em geral, amadurece com as dificuldades. Supera obstáculos com bom humor e perseverança. Há quem atribua ao nome Inácio origem etrusca. O fato é que, na história, aparece registrado como sobrenome pelos antigos romanos.

Relato de Sinhara e Judite: A seguir, apresento um relato elaborado por minhas irmãs Judite e Sinhara sobre esta matéria: "Primeiro vamos falar sobre a nossa casa na trindade, a 1ª casa foi queimada em 1940 + ou - em dezembro. Depois que a casa queimou, fomos morar na casa do engenho no mesmo lado do lago, o caminho ficava no meio entre a queimada e o lago. Perto da casa do engenho tinha um caminho que ia até o brochado (1). Nezinho morava no mesmo lado, em uma lombada, antes da casa do engenho velho; de lá, ele via o fogo e foi ajudar a apagar. Os moradores da Trindade, ao ouvirem a zoada do fogo na casa, pensavam que era barulho de avião, algo difícil de se ouvir, na época. Somente após se haver espalhado a noticia os moradores correram e, certamente, ainda puderam ajudar no salvamento. Foi aproveitado apenas um pouco do milho e do arroz. Na casa do engenho não dava para morar, então o Pai comprou uma casa do Sr. Alípio. Ela ficava próxima ao terreno onde ele construiu, posteriormente, a morada definitiva. Uma bela casa de taipa, coberta de telha".
"Sobre Raimunda: ela não chegou a fugir. Pai havia vindo a Pedreiras onde ouviu boatos afirmando que Raimundo Quinco iria roubá-la, e que o Pai dele estava de acordo. Nosso Pai passou lá, no Altamira, e declarou que não precisavam roubá-la. Afirmando que, mesmo contra sua vontade, iria aceitar o casamento e, gostaria que o mesmo fosse realizado logo.
Quando ela casou, ficou morando em Altamira, logo ficou grávida e acabou perdendo (sofreu um aborto) com poucos meses, depois do 2º aborto ele mudou para a Trindade, para a casa da beira da estrada, perto da bagaceira do engenho. Ele foi trabalhar no engenho do sogro. Houve o 3º aborto. Então aconselharam que ela deveria fazer uma promessa com Santo Inácio para não mais perder as crianças. A promessa era assim: o primeiro filho que nascesse vivo e de tempo normal se chamaria Inácio. Feita a promessa, a gestação transcorreu normal, a criança nasceu em paz e recebeu o nome Inácio, como prometido. Dai por diante, nasceram-lhe e foram criados mais 12 filhos.
OBS: conforme prometido, são palavras da minha mãe Judite e da tia Sinhara....um abraço....Janaina.
(1) Uma região de lagos, planície inundável do rio Mearim, onde se faziam as plantações de vazantes, especialmente de melancia e melão.