segunda-feira, 27 de junho de 2011

TRAÇOS HISTÓRICOS DE PEDREIRAS - ESTADO DO MARANHÃO

Entrevista com um laborioso filho de Pedreiras, descendente de migrante nordestino, residente em Timom - Maranhão.
(Veja o vídeo, abaixo)

Sr. JOÃO VICENTE LEITE (Joca)

Sra. MARIA DO CARMO SIQUEIRA LEITE




1. Introdução

Do final do século XIX a meados do século XX, a região de Pedreiras despontou como centro de atração do retirante nordestino. Fugindo das agruras da seca, ele partia em busca de refúgio no clima úmido pré-amazônico. Sendo esta, uma região rica em recursos naturais - espécie de Eldorado maranhense - passou a receber milhares de emigrantes que chegavam a pé, em lombo de animais, por ferrovia, em pau-de-arara, canoa ou em toscas e improvisadas embarcações.
Há alguns relatos sobre as caravanas de famílias provenientes, principalmente, do sul do Ceará: região de Crato, Juazeiro, Missão Velha, Brejo dos Santos e Milagres.
As Caravanas eram, geralmente, agrupamentos de pessoas aparentadas, homens e mulheres, adultos e jovens, formando um conjunto familiar bastante complexo. Conduziam animais de carga e cães de caça.
A viagem em caravana era uma aventura de até meses, enfrentando sol, chuva e poeira; acampando ao longo da estrada, para descanso, preparo da bóia ou pernoite.
Conta-se que havia um precioso cão que caçava e supria de carne os caravaneiros, enquanto a caravana seguia.
Por volta dos anos quarenta e cinqüenta, ainda se via ingressar pelo lamacento ou empoeirado acesso de Pedreiras, conforme a estação do ano, os barulhentos rebanhos de animais, alguns enchocalhados: gado bovino, cavalo, mula e jumento.
Tangerinos de pele grosseira, maltratada pelo agreste e pelos embates do ofício, com traje típico, chapéu de couro e alpercata de rabicho, soltavam brados instigantes e estalavam a taca, pressionando o inquieto, aturdido e violento rebanho misto, rumo ao mercado central daquela cidade em crescimento.
As estradas carroçáveis que ligavam Pedreiras à linha do trem, em Coroatá, e com o vale do rio Parnaíba, em Teresina, eram palco por onde desfilavam os caminhões de carga e, também, os paus-de-arara, repletos de famílias nordestinas com sua parafernália, marca registrada do fugitivo da seca.
Inúmeros trabalhadores braçais, afeiçoados á lida da roça e do engenho de cana, ultrapassavam o portal de Pedreiras, com freqüência, e ofereciam seus serviços na cidade e nos pequenos sítios de redondeza.
Conheci vários destes trabalhadores e visitei muitos dos sítios que os acolhiam. Compreendiam, geralmente, terras de antigas fazendas de escravo  onde se cultivavam algodão, fumo e cana de açúcar, além de lavoura de subsistência. Dente eles, cito os seguintes: São Manoel, Centrinho, Olho d´Água, Sítio Novo, Bom Jesus, Imbaubinha, Belém, Altamira, Três Irmãos, Trindade, Baú, Barreiros, Santa do Virgem, São Raimundo, Telha e Santa Cantide.
Meus ancestrais instalaram-se em muitos destes locais, criaram seus filhos e, aos poucos, integraram-se aos costumes de Pedreiras, a verdejante terra dos palmeirais, banhada pelo Mearim, sob a proteção do glorioso São Benedito.
Meus avós paternos, eu os conheci velhinhos, por volta de 1949. Eles moravam na localidade Três Irmãos, a caminho da Trindade. Na Trindade vivi até meus 13\14 anos de idade, quando meus pais voltaram a residir na sede municipal, por volta de 1951\52.
Estes são os nomes dos irmãos de meu pai: Antonia, Raimunda, Isabel, Joana, Pedro e Jozino. Eles, em geral, residiam por perto ou na cidade, a cerca de sete quilômetros de distância.


Quando partiram do Ceará, meu pai (José Furtado leite) e minha mãe (Maria da Conceição Leite) eram ainda solteiros. Se não estou equivocado, Frei Galvão os uniu em matrimônio, em Pedreiras, por volta de 1919\20. São seus filhos: Maria, Raimunda, Raimundo (Sinhô), Antonio, Cesário, Sinhara, Judite e Pedro Furtado Leite. Destes, partiram para a casa do Senhor: Raimunda, Raimundo, Antonio e Cesário.


Estando, hoje, com 73 anos de idade, e residindo, há mais de 30 anos, distante de minhas origens, fui inspirado a conhecer alguns lances da minha história familiar perdidos no tempo e fui rever minha terra e minha gente.
Procurei reencontrar meus parentes, especialmente, aqueles mais próximos da minha faixa etária e os mais ricos em idade, espécies de testemunhas vivas dos primórdios da nossa história.
Assim, em maio deste ano, fui rever meu primo Joca Vicente, em Timom (Ma), um forte e disposto cidadão maranhense, de 84 anos de idade e sabedoria e pele crestada pelo sol meio-nortista. 


2. A entrevista (Timom-Ma, maio de 2011).

PL: “Joca, quero gravar um pouco de tua história, que está intimamente relacionada com a minha, está pronto para falar? ”

Joca: Sim. Meu nome é João Vicente Leite, vulgo Joca. Sou casado com dona Maria do Carmo Siqueira Leite. Temos 8 filhos (6 homens e 2 mulheres): José, Jacira, Socorro, Francisco, Luiz, Alberto, Paulo e Antonio Siqueira Leite.

PL: Quando veio residir aqui em Timom ?

Joca: Vim morar aqui, em outubro de 1988. Votei a Pedreiras, em 1990, passei um ano lá e retornei. Estou aqui, portanto, a cerca de 20 anos. Meus filhos moram por aqui, comigo. Apenas, um vive em Presidente Dutra e outro pro lado da Anfrosa ? Os demais, estão por aqui ou, viajando freqüentemente a Pedreiras.

PL:Como se chamam os seus pais?

Joca: sou filho de Antonio Vicente leite e de Isabel Furtado Leite (vulgo Belinha). São irmãos de Dona Belinha: Dona Antonia de Torquato, dona Raimunda do velho João Furtado, Dona Joana do velho Belo Xavier, o velho Jozino, o velho Pedro Bello e o velho Zé Bello (José Furtado Leite, teu pai).

PL: E sobre o teu avô materno, também, o meu avô paterno?

Joca: O velho Antonio Bello, ele morava nos Três Irmãos. Eu o conheci ainda, quando eu tinha uns 8 anos de idade. Plantei e cortei arroz com ele; eu estava sempre por lá conversando. Ele gostava muito de mim, dizia que eu era esperto, né?  Mas, nós conversávamos e brincávamos muito. Lá, no Três Irmãos, ele faleceu. Era casado com Maria Dona. Quanto aos ancestrais dela, não sei dizer.

PL: Você disse que cortava arroz com ele, como era isso?

Joca: Ele usava chapéu de palha. Colhia arroz em molhos. Ria muito, de se admirar. Começava com o plantio, ele ia cavando e a gente plantando as carreirinhas de arroz, com a enxada. Depois, a gente ia apanhar o arroz, como já falei. Também, ele fazia fumo e chamava a gente pra ajudar arrumando as folhas pra enrolar e fazer fumo de corda, principalmente. Trabalhei muito com ele, lá, naquela época de 1939.


PL: Tio Jozino morava lá, junto?

Joca: Jozino morava perto, era casado com a Raimunda Ferreira.

PL: Pois é...e depois, de que você ainda se lembra ?

Joca: Por volta de 1942, eu já, um menino, com 12\13 anos, meu pai mudou-se para o São José, um lugarzinho do outro lado do rio Mearim. Lá, fomos trabalhar de roça durante os anos de 1942 a 1945, quando mudamos para o Centro do Marçal.

No Centro do Maçal, ficamos uns tempos. Lá, eu me casei, no dia 1º de novembro de 1946, com dona Maria do Carmo Siqueira Leite.

Em 1949, casados, fomos morar no São Manoel. Lá, meu pai me vendeu um pedaço de chão e eu fui fazer um bananal. Ficava perto do local, onde depois, Lecínio, Nazário e Duque Fernandes (filhos de tia Quiterinha) instalaram um engenho de moer cana.

Depois, meu pai vendeu o resto de suas terras para meus sogro, o velho Antonio Joaquim, que estava morando perto da gente, lá no São Manoel. Lá nasceu minha filha Socorro, no dia 09\03\1950. Pois, já haviam nascido José e Jacira.

Em 09\03\1951 nasceu Francisco. Em 08\03\1952 nasceu o Luiz.

O resto, não lembro bem. Creio que o Alberto nasceu em 20 de janeiro de 1954. Depois, em 1955, o Paulo, e em 1956, o Antonio, em 5 de abril, esse caçula que deu uma crise medonha.

Daí, a gente foi lutando de lá pra cá e daqui pra lá. Então fomos morar em Pedreiras, em 1968, de onde passei a carregar banana pra cá.

Então, tive uma crise de hepatite e fiquei todo amarelo. O Dr. então me disse que se eu não ficasse na cama eu iria morrer.

Fiquei 30 dias deitado, sem me mexer.

Quando fiquei bom, o Sinhô Bello (teu irmão) me procurou, veio dizer: “rapaz, eu não fui lá (visitar) porque não tive tempo.”

Eu disse: Está bem, já fiquei bom.

Então, quando foi em 1988, Sinhô Bello adoeceu. Fui lá e lhe disse: Sinhô, se você ficar deitado... Ele respondeu: rapaz, é que tenho isso e tenho aquilo pra fazer... Eu lhe falei que o negócio era salvar a vida. Quando adoeci, eu tinha 2 carradas de bananas pra levar a Teresina e um bocado de vacas pra tirar leite.

Mas, larguei de mão, tudo.

E estou contando a história. E ele, oh!... Cadê o homem?

A hepatite virou hidropisia e...

Ele poderia estar muito bem...

Na época, eu já estava morando aqui...

PL: Olhando pra você, assim, vejo que é muito parecido com ele.

Joca: Pois é... Dizem isso mesmo... Ele mesmo me dizia: cuidado, não faz o que é ruim não, senão, eu vou pagar.

PL: Agora, volta um pouquinho pra falar da vida dos nossos ancestrais vindo do Ceará.

Joca: Sim. Os meus pais saíram de Missão Velha, em 1915. Já eram casados, porem não tinham filhos, ainda. A minha irmã mais velha, a Naninha, nasceu no São Manoel, Pedreiras.

Do São Manoel ele foi para o Olho d’Água, daí foi para Pedreiras e voltou ao São Manoel.

Do São Manoel, mudou-se em 1927, para o Belém, um local situado depois do lago da velha Clemência. Foi lá que se casaram minha irmã com João Ferreira e o Zé Vicente, meu irmão, com a Bárbara Ferreira, em 1938.

No São Manoel, havia apenas um velho morando, quando meu pai chegou em companhia do sogro (o velho Antonio Bello).

Não era lugar habitável, nem mesmo um poço permanente de água potável havia. O morador ia buscar água no rio Mearim, caminhando pela trilha que passava pelas terras do engenho do Lino Feitosa. Não tinha coragem de cavar um poço.

Então, o velho Antonio Bello comprou as terras do São Manoel por duzentos contos de réis: um grande monte de notas verdes.

Na verdade, ele pagou ao morador para se retirar, liberando-lhe as terras do São Manoel. Ai, eles tomaram conta.

Era esta a história que meu pai contava. O nego velho botou o dinheiro no bolso e foi embora. Ficaram por lá desde este tempo.

A gente se criou por lá, ficamos morando, até ir para o Belém.
Do Belém fomos residir no Altamira, perto de onde morava o velho Quinco Cesário (teu tio), bem ali, onde era o Zeca Tavares.
De lá, fomos para o São José e etc...


3. Agradecimento e Conclusão

Primo Joca Vicenete,
Sou muito grato a você pelo modo fraternal e resoluto como aceitou participar desta entrevista. Certamente, estamos contribuindo para a divulgação da memória, da história de nossa gente, de nossa terra, e do povo nordestino.
Receba, portanto, um forte e fraternal abraço do seu primo Pedro Furtado Leite (vulgo, Pedro Bello). Peço a Deus que nos dê saúde, paz e alegria, para vivermos e podermos reconhecer e aplaudir os feitos de nossos antepassados.  A coragem e determinação daqueles que, não se deixando abater pela seca, nem pelas dificuldades da estrada, partiram em busca do Eldorado maranhense, do verdejante cocal do vale do Mearim, como a caravana de Abraão, que saiu à procura da Terra Prometida do vale do Jordão.

Ainda não se completou um século desde aquele dia da partida de nossos familiares, de lá, do polígono das secas, em 1915. 
Imagino que, no dia anterior, nossas avós haviam preparado uma substanciosa farofa, com carne de frango, bode ou ovo de galinha, para inicio de caminhada. 
Conhecendo a fibra da gente nordestina, sou levado a crer que tudo foi preparado de véspera: alimento e água para alguns dias, inclusive para os animais; apetrechos simples de cozinha, roupas, redes, ferramentas, cães de guarda e de caça (_quem sabe?... pode aparece algum veado sutinga, paca, tatu ou cotia, pela estrada) e etc...
Também, não deve haver faltado uma oração para Nossa Senhora e um pedido de benção ao Pe. Cícero Romão Batista, de Juazeiro...
E, ao surgir da aurora, todos a posto... a jornada vai começar...
Pé na estrada, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo!...
Vamos embora, compadre Antonio Joaquim!... Chama as mulheres!... 
Não esquece o fogo, a farinha e a faca peixeira, compadre Antonio Vicente! 
Já passa das cinco, é tarde para quem vai pra longe e tem que ir devagar... Nas horas de Deus amém!...
Como não reconhecer a fé e a coragem daqueles aventureiros? Eles partiram para uma terra florestal abençoada em que se fazia abundante a água da chuva, o leite do gado, o mel e a garapa da cana de açúcar.
Entretanto, aquela era também uma terra desconhecida, desabitada e doentia, ambiente de doenças tropicais, de mosquitos e animais peçonhentos.
A caminhada do nordestino lembra a do povo de Deus, conforme o Livro Sagrado. Ele buscou a terra onde corria leite e mel. Uma terra que, no entanto, era habitada e teria que ser conquistada, domada, para tornar-se celeiro de Israel.
A região do vale do Mearim, incluindo Pedreiras, foi domada e cultivada principalmente pela gente nordestina, e passou a abastecer os mercados de São Luis, de Teresina e de outras cidades da região, com frutas, cereais, carne e outros produtos.
Muitos foram os que tombaram na batalha. Não dispondo de assistência médica adequada, muitos foram abatidos por leishmaniose, malária, hepatite, tuberculose, hidropisia, infecções e acidentes, os mais diversos, inclusive, afogamento, queda de árvore, incêndio e picada de cobra.
Gloria a Deus pela fé, determinação e garra da gente nordestina!
Bendita seja a Pedreiras, terra abençoada, destinada por Deus ao trabalhador nordestino.
Salve o nordeste e viva o povo brasileiro !...

Em, 22 de maio de 2011.
Pedro Furtado Leite.




terça-feira, 19 de abril de 2011

UM HOMEM DE DEUS, VIDA DEDICADA À MISSÃO, UM AMIGO.

Jornal e Web Rádio Missão Jovem:



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Padre Paulo De Coppi celebrou 50 anos de ordenação presbiteral e comemora seu 76º aniversário natalício, no próximo dia 24 de abril



 

Prezado padre Paulo, parabéns!...

Queremos manifestar-lhe nossa alegria, homenageá-lo e felicitá-lo duplamente, neste momento particularmente significativo e alvissareiro de sua existência e missão sacerdotal. Podemos nos sentir privilegiados por conhecê-lo de perto e podermos testemunhar sua luta missionária, entre nós, desde que se tornou nosso mais amado visinho, na Av. Hercílio Luz, em Florianópolis.
Já vão longe os dias em que presenciamos a movimentação de operários escavando o subsolo da casa, ao lado do nosso edifício residencial, ampliando-a para receber uns missionários católicos. Era isso que se falava na redondeza.
Aqueles foram dias lindos em que nossos corações palpitavam de entusiasmo pela Messe do Senhor e pela expectativa de experimentarmos a presença de Deus, em nossa vida, de maneira mais viva e eloqüente. A mão de Deus sempre esteve em nosso socorro, a nos indicar caminhos, mas aqueles foram para nós tempos fortes de derramamento abundante da graças de Deus.
Diante daqueles acontecimentos na vizinhança, fomos levados a comentar entre nós: “o que estará o Senhor a nos preparar...?”
Cremos que Deus sempre nos acolhe e nos mostra caminho, ao longo de nossa existência cristã. Os filhos de Deus sempre encontram abrigo e apoio no seio da santa e amada igreja. Muitas vezes, testemunhamos isto em nossas próprias vidas.
Naqueles dias, Deus nos concedeu uma graça especial. Ele nos fez visinhos de missionários e nos permitiu desfrutar da presença paternal do Padre Paulo, missionário franco, transparente e determinado, compreensivo, acolhedor e amigo dos pobres. Deus seja louvado!...
Em momento posterior, estávamos envolvidos com a aplicação das Oficinas de Oração e Vida, uma obra edificante desenvolvida por Frei Ignácio Larranãga. Oficinistas, procurávamos espaço adequado para ministrar os encontros. O salão de festas do nosso edifício seria um ótimo lugar porem, nossos irmãos condôminos não aprovaram.
Na ocasião, o Padre Paulo acolheu-nos em seu espaço missionário.
Ele nos recebeu citando o conhecido versículo bíblico que diz: ”Um profeta só não é honrado em sua terra e na sua casa”. E nos convidou: “venham trazer o Espírito Santo para esta casa”.  
Deus seja louvado!... Pois fomos mesmo realizar encontros semanais na Missão.
Não só nos disponibilizou uma sala para as oficinas como, ele próprio, encontrou espaço em sua, sempre lotada, agenda para participar das reuniões.
Com freqüência, lá estava o missionário sentado conosco, humilde, alegre e interessado, partilhando seus conhecimentos.
Daí por diante, até hoje, Padre Paulo deixou de ser apenas visinho para morar em nossos corações. E nós nos acostumamos ao seu possante, amável e rouco tom de voz.
A Missão cresceu e, alem de suas atividades normais, do âmbito de sua competência, nos deu muitos outros motivos para bendizê-la: ofereceu oportunidade de emprego para muitos jovens, inclusive, para nosso filho que há mais de 15 anos faz parte da abençoada equipe do vibrante e alegre Jornal “Missão Jovem”.
Quando alguém procurava afastar, por inconvenientes que pudessem parecer, os pedintes que vinham, com freqüência, bater-lhe à porta, falava: “não me tirem os pobres, porque eles não me deixam endurecer o coração.”
Cinqüenta anos se passaram desde que o jovem padre foi ordenado na Catedral de Milão. Agora, com seus 76 anos de bendita existência, grisalho e batido pelo tempo de vida e missão, ainda mostra seu sorriso fácil e amigável, e ainda se apresenta cheio de vigor físico, com alma elevada e disposição ao trabalho.
Perguntado sobre sua saúde e disposição, disparou: ”ainda tenho alguns cartuchos para queimar”.
Querido Padre Paulo, nós o admiramos. Receba nosso abraço carinhoso e fraterno e nossos votos de felicidades, neste momento tão singular e importante de sua existência. Deus escolheu uma bela coroa de louros americanos para sua cabeça. Desejamos-lhe muita saúde e, que Deus continue animando seu grande coração e seu ardor pela missão, aquele ardor que o trouxe da Itália para nós. Pois, temos certeza, nosso Senhor continua aquele mesmo Deus da sua e da nossa juventude. É por sua graça que ainda lhe sobram bons e potentes cartuchos para queimar em defesa da obra da Messe, agora, como um majestoso guerreiro de Deus maquiado pela poeira cinzenta da estrada que lhe embeleza a esparsa cabeleira.
Com o carinho e o abraço fraterno da família amiga que mora ao lado:



Pedro, Lilian, Fábio e Kelly Cristine.


Florianópolis, 12 de abril de 2011.