sábado, 24 de março de 2012

TRINDADE: MORADA PRIMEIRA



Uma casa na colina: Na Trindade, nossa morada primeira foi construída sobre uma colina verdejante, a cerca de um quilômetro do rio Mearim, A casa emergia sobranceira do meio de uma vegetação secundária (capoeira), reminiscência das exuberantes florestas primárias que cobriam a região, num passado não muito remoto. Florestas que haviam sido abatidas pela força do braço escravo, principalmente, para plantação de cana-de-açucar, algodão e pastagem.



Era uma região desabitada e a vegetação ainda, relativamente rica em biodiversidade, com muitos adensamentos de espécies de madeira-de-lei e de palmeira babaçu (Orbignya martiana). A florersta estendia-se pela planície circunvizinha, avançando sobre uma pequena área inundada, o Lago da Trindade. Este, ainda bastante piscoso, era cercado de formações vegetais espinhentas, ricas em marajá (gênero Bactris), além de constituir-se numa importante fonte do mosquito da malária.

A casa era de taipa (paredes de pau-a-pique e varas amarradas com cipó ou fibra vegetal) e chão batido, coberta com palhas de babaçu;construída, provavelmente, entre o final do inverno e início da primavera de 1938, visto que, nascido em abril daquele ano, eu tinha apenas quatro meses de idade, quando ali chegamos.
Nossa família era relativamente numerosa: meu Pai (Zé Bello), minha Mãe (Maria da Conceição), seus oito filhos e dois cunhados (Nezinho e Raimundo Quinco). Os oito filhos compreendiam, em idade decrescente: Maria (casada com Nezinho). Raimunda (noiva ou recém-casada, com Raimundo Quinco).
Sinhô, Antonio, Cesário, Senhara, Judite e Pedro eram crianças ou adolescnetes, com nemos de 14 anos. O mais novo membro da família era a netinha Socorro, filha de Maria, nascida por volta de outubro de 1938.
As atividades de roça tinham início no mês de outubro, com as derrubadas, queimadas e a limpeza do terreno (encoivaramento). Naquela região, ainda hoje, estas operações fazem parte do dia-a-dia dos agricultores.
Experimentado nas lidas da lavoura, meu pai possuía importantes projetos a desenvolver ali. Dentre eles destacavam-se: as plantações tradicionais de milho, arroz, mandioca e feijão e a formação de canaviais para a indústria de açúcar e aguardente, alem do cultivo de pastagem, principalmente, para manutenção do gado leiteiro, dos animais destinados ao trabalho do engenho e ao transporte, em geral, na propriedade.
Plantar tabaco e produzir fumo-de-corda também fazia parte das atividades na Trindade. Quando residia no São Manuel meu pai já compreendeu a importância de produzir e comercializar fumo. E geralmente, vendia sua produção diretamente ao consumidor, para auferir melhores lucros.
(continua...)






sexta-feira, 16 de setembro de 2011


VOCAÇÃO NATURAL DA PALMEIRA BABAÇU


Pôr-de-sol no domínio da palmeira babaçu. Trindade - Pedreiras (Ma), 11/2009.





1Introdução.
2. Legislação Protetora da Palmeira Babaçu.
3. Aspectos Dinâmicos da Palmeira Babaçu.
4. Importância Sócio-Econômica e Cultural dos Babaçuais.
5. Importância da Atividade Agrícola e Agropecuária nos Babaçuais.
6. Uso da Terra e o Manejo de Babaçual.
7. Uso da Terra e Solução de Conflitos na Região dos Babaçuais: (Agropecuaristas e Extrativistas do Coco Babaçu).
8. Qualidade ambiental dos Babaçuais e a Vocação da Palmeira Babaçu.

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1. Introdução

A palmeira babaçu é considerada uma importante riqueza natural, distribuída amplamente no norte do país, apresentando maior incidência nos estados do Maranhão, Pará, Tocantins, Goiás e Piauí.

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2. Legislação Protetora da Palmeira Babaçu

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3. Aspectos Dinâmicos da Palmeira Babaçu.


A alta densidade de palmeira babaçu está geralmente associada a aberturas naturais ou antropogênicas do teto florestal, que podem originar extensos palmeirais. Aberturas naturais relacionam-se normalmente a aspectos ecológicos, ou seja, de clima, relevo, rocha, solo e a incêndios naturais. As aberturas antropogênicas resultam principalmente do extrativismo e de diferentes processos de ocupação e uso da terra, que têm o fogo e a tecnologia como importantes aliados.
As pesquisas indicam baixa incidência da palmeira nas florestas densas (teto fechado) sendo esta, geralmente, longa e delgada, confundindo-se com as demais árvores florestais. O baixo desenvolvimento relaciona-se com a concorrência pela ocupação do espaço e com o fenômeno da heliofilia. Espécie heliófila não prospera à sombra e, sendo posta em concorrência com espécies de idênticas exigências, desencadeia uma corrida em busca da luz abundante no estrato superior da floresta. Esta maratona resulta em árvores longas de pequeno diâmetro, ou seja, numa floresta alta de árvores finas. Ambiente aberto, ao contrário, tende a gerar tronco mais grosso e de menor estatura.

(Em edição)